Arquitetura Educacional


Arquitetura Educacional/Escolar – um desafio para os arquitetos

Introdução: Mariele Vilela


A concepção de um ambiente de ensino deve levar em conta as transformações comportamentais dos indivíduos, a inserção das novas tecnologias, as novas técnicas de ensino.

Absorver a identidade da instituição com a prática pedagógica pretendida e propor um espaço que seja adequado, corretamente planejado e coerente com a cultura da instituição é de fundamental importância, tem influência direta no desempenho e rendimento escolar e intelectual do aluno e, portanto é o desafio maior para o arquiteto que tenha a intensão de atuar nesta área.

Arquitetura educacional: A relação do projeto arquitetônico e o modelo de aprendizagem ativa.

Autora: Adriana Leão

O traço é um elemento do processo de desenvolvimento do Pensar do Arquiteto. Na comunicação, assim como a fala e gestos são meios de expressividade, o esboço pode ser reconhecido como um símbolo que traduz uma ideia a partir de um determinado conceito (associado a outras demandas). Porém, antes mesmo que se materialize uma proposta de Arquitetura escolar, deve haver no campo da pesquisa, uma análise criteriosa acerca não apenas de obras análogas, mas também das principais metodologias pedagógicas existentes.

Ao se planejar o espaço edificado educacional, propõe-se conhecer o projeto pedagógico do curso/instituição. Neste documento, há diretrizes a serem consideradas, que trarão reflexos no projeto do ambiente construído a fim de que esteja em consonância com os objetivos institucionais.


O conhecimento de algumas teorias, aplicáveis em diversos níveis de escolaridade, baseadas nas propostas de Maria Montessori, Piaget, Rudolf Steiner e ,no Brasil, de Anísio Teixeira são referências para o planejamento e projeto de arquitetura a ser desenvolvido por alguns profissionais. Somado a esta estratégia inicial, outros quesitos são fundamentais para o início do estudo preliminar: Conceito, Público Alvo, Setorização, Programa de necessidades, Fluxograma, Análise do terreno/legislação específica e Partido Arquitetônico.

No nosso país, a Lei N˚ 9394/96 estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. No ensino tradicional, os discentes são parte passiva do processo Ensino- Aprendizagem e atuam como receptores das mensagens encaminhadas pelos emissores, no caso, os docentes.

Considerando a organização do espaço neste tipo de ensino, a disposição do layout é feita em carteiras enfileiradas, sem possibilidade de flexibilização, demarcando a posição hierárquica docente na parte frontal da sala geralmente em um tablado em posição superior aos discentes. Esta proposta, não considera as demandas específicas dos alunos nem de uma coletividade.

Algumas escolas têm mostrado vertentes diferentes do ensino tradicional, tendo, como exemplos, os modelos internacionais baseados nas linhas construtivistas ou pragmatistas.

Em estruturas educacionais denominadas de aprendizagem ativa, o aluno, é o agente do processo “ensino-aprendizagem” e o professor torna-se o mediador.




O espaço é conformado a partir da teoria pedagógica que se pretende aplicar naquela instituição, a saber:


1. Os formatos das salas de aula podem influenciar nas diversas dinâmicas que podem ocorrer dentro ou fora dela. Sendo assim, é possível promover dentro de um mesmo local, estudos independentes, trabalhos em grupos com alunos da mesma sala ou de salas vizinhas, tendo para isto um espaço intermediário comum. Os alunos adquirem maior senso de identidade com o lugar, com a maior possibilidade de deslocamento interno.


2. A flexibilidade permite com que os alunos façam arranjos de variadas formas de layout a partir de suas atividades. Neste caso, a arquitetura deve prever, pontos de energia para uso de laptops , rede de internet sem fio, carteiras ou pranchetas com variação de inclinação e altura ajustável para diversos públicos e projetores de imagens distribuídos nas paredes.


3. É possível que o espaço escolar replique parte da casa do aluno como fator contribuinte para o início de sua formação como ser humano.


4. Aulas práticas podem acontecer em ambientes externos, onde o próprio meio ambiente corrobora para isto.


5. Música, arte, culinária e a comunidade são inseridos no contexto escolar.



Enfim, de modo incipiente, algumas poucas faculdades no Brasil têm apostado em modelos de metodologias inovadoras como Peer Instruction (Instrução pelos ares) , Problem Based Learning (Aprendizado Baseado em Problemas) , Team Based Learning (Aprendizado Baseado em Equipes) e Project Based Learning (Aprendizado Baseado em Projetos) , por exemplo, para oferecer aos seus discentes a oportunidade de aprendizagem, diferenciada e não conteudista. O sucesso deste modelo depende não exclusivamente do projeto arquitetônico educacional, mas da gradual mudança de postura dos atores envolvidos, da credibilidade quanto à inovação e avanço científico, além da adequada forma de aplicação do modelo.


Adriana Leão

Arquiteta e Urbanista, Professora e Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo FACEB. Bom Despacho – MG


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Imagens: Vittra Escola Brotorp de Estocolmo

http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2011/10/06/arquitetura-da-escola-deve-dialogar-com-o-projeto-pedagogico-afirma-arquiteta/

http://waveavenue.com/profiles/blogs/imaginative-motivating-learning-spaces-at-vittra-school-brotorp

Fontes:

KOWALTOWSKI, Doris K.. Arquitetura escolar. O projeto do ambiente de ensino. São Paulo, Oficina de Textos, 2011.


#arquiteturaescolar #arquiteturaeducacional

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